Vá. Pensando agora melhor, concluo que o nada se torna maior à medida que se torna mais pequeno. Se compararmos o nada – todos os seus fragmentos – aos átomos de carbono, caminhámos para o diamante. E é precisamente aqui que a ciência contraria o conhecimento geral – andámos de mãos dadas com a solidão a dizer coisas de pequenez como quem acredita, porque sempre assim nos foi ensinado, que à medida que algo diminui, este se torna mais pequeno, quando, na maior parte dos casos, o que acontece é que a redução cresce por compactação. É essa saudade que tenho de ti. Todos os dias se reduz para dentro de um peito que se torna mais pequeno para dentro do tempo que há-de para sempre aumentar. Um dia a saudade será diamante e serás o bem mais precioso que não possuo. Até lá serei nada.
Os astrólogos dizem que o Universo é feito maioritariamente de matéria negra – de algo a que a nossa compreensão básica chama de vazio – e que, quem sabe, é nela mesma que estão as raízes do tudo. Alegremos-nos por fazer parte de um Universo maior.
Vítor Pereira
Crónicas do Homem de Vento

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