Vítor Pereira

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

# A Toda a Humanidade

Tu! Pergunta-te isto, não o respondas a ninguém senão a ti, pergunta-te somente: Se soubesses que irias morrer amanhã, que coisas teriam importância hoje?

Morte! Outra vez morte! Desde cedo que mandámos as crianças para a escola, supostamente para as preparar para a vida. Aprendem de tudo, tudo digo-o eu, excepto a única lição necessária, indispensável… Felicidade! Ninguém prepara as crianças, ninguém lhes dá as ferramentas para serem felizes! Perguntam-lhes “Que queres ser quando fores grande?” ou invés da pergunta, única, crucial, “Que queres fazer antes de morrer? Que vais tu fazer para ser feliz?”. Não, evitamos o assunto da morte, como se fosse tabu, quando é precisamente a morte, a noção da morte, a perspectiva do fim, o derradeiro caminho para a Vida, para a Felicidade! Devia ser esta a introdução à escolaridade! O professor entra na sala, apresenta-se, apresentam-se as crianças umas às outras e o professor toma a palavra, “Agora que se conhecem, lição número um: Morte! Daqui por umas dezenas de anos todos vocês estarão mortos! Se tiverem sorte dar-vos-ão um buraco na terra, umas quantas lágrimas em vossa memória, umas flores e pouco mais… Agora ide! Ide para o intervalo e vivei! Brinquem, sujem-se, sorriam, esfolem os joelhos, comam as sandes com as mãos sujas da terra, ide, e quando voltarem, falaremos da Vida…”

Não! Não é o que a escola ensina. Ensinam-nos desde cedo a fazer planos! Planos para daqui a dez anos, para daqui a vinte anos, para daqui a quarenta anos quando formos velhos! Trabalhem, trabalhem muito! Trabalhem doze, catorze horas por dia, juntem dinheiro, comprem uma casa que seja só vossa, uma casa grande e cheia de coisas! Comprem um bom carro para que os outros vejam o quanto vocês trabalham e trabalhem muito, juntem muito dinheiro para quando forem velhinhos!
Pouco importa a forma, pouco importam as palavras. A história é esta! “Matem-se a preparar o futuro!” E assim o Homem se gasta, perde a vida a trabalhar para “daqui a uns anos” poder aproveita-la, não hoje, não amanhã, “daqui a uns anos!” E os anos passam, a vida vai-se gastando sem ser vivida, e de repente, antes que tenhamos tido hipótese de a viver, acaba-se, assim, de um dia para o outro acaba-se… “Amanhã, a ver se acabo aquela obra e no fim-de-semana levo a família a dar um passeio…”, “Hoje trabalho até mais tarde, e amanhã faço um jantar romântico com a minha mulher…” e sem aviso, a amanhã não vem, esgota-se, morre e deixa todos os planos suspensos, des-vividos.

Planeava agora escrever todo um parágrafo a dizer-vos, a quem me leia, a quem me queira ler, a dizer-vos para viverem, a inspirar-vos a serem felizes, a usar frases poéticas sobre a felicidade e o Amor. Mas não me cabe a mim fazê-lo! Não existe poesia nas palavras, só a vida, vivida ao extremo, pode ser poética. Portanto, Vivam! Mandem um palavrão ao ar se for necessário, “Que se foda, vou é viver!”
Vivam!


 Tu! Pergunta-te isto, não o respondas a ninguém senão a ti, pergunta-te somente: Se soubesses que irias morrer amanhã, que coisas teriam importância hoje?


domingo, 15 de setembro de 2013

# Canhões de Abraços e Beijos Assassinos

Existe no Amor, um sentido trágico que guerra alguma consegue alcançar. Se por um lado a guerra diz "Vou-te matar!", o Amor grita "Mata-me! Exijo que dês cabo de mim ou então de pouco me serve viver!" Enquanto que a guerra, ainda que raramente, se permite a uma trégua ocasional, não existe no Amor a possibilidade de pausas para negociação - porque Amar é uma Guerra ininterrupta que sempre parece estar por um fio, que a todo o momento parece querer explodir, dar cabo do mundo!

Guerra! É precisamente o que o Mundo precisa, é precisamente o que o Mundo urge, o que o Mundo gritaria se pudesse gritar! - "Guerra! Matam-se uns aos outros seus cabrões! Matem-se! Sufoquem-se com a força de um beijo! Estrangulem-se na violência de um abraço... Matem-se e deixem-me viver!"

Guerra! Só uma Guerra Mundial pode salvar o Homem! Só uma Guerra pode dar trégua ao Mundo.

Vítor Pereira 
Volume II