Tu!
Pergunta-te isto, não o respondas a ninguém senão a ti, pergunta-te somente: Se
soubesses que irias morrer amanhã, que coisas teriam importância hoje?
Morte!
Outra vez morte! Desde cedo que mandámos as crianças para a escola,
supostamente para as preparar para a vida. Aprendem de tudo, tudo digo-o eu,
excepto a única lição necessária, indispensável… Felicidade! Ninguém prepara as
crianças, ninguém lhes dá as ferramentas para serem felizes! Perguntam-lhes
“Que queres ser quando fores grande?” ou invés da pergunta, única, crucial,
“Que queres fazer antes de morrer? Que vais tu fazer para ser feliz?”. Não,
evitamos o assunto da morte, como se fosse tabu, quando é precisamente a morte,
a noção da morte, a perspectiva do fim, o derradeiro caminho para a Vida, para
a Felicidade! Devia ser esta a introdução à escolaridade! O professor entra na
sala, apresenta-se, apresentam-se as crianças umas às outras e o professor toma
a palavra, “Agora que se conhecem, lição número um: Morte! Daqui por umas
dezenas de anos todos vocês estarão mortos! Se tiverem sorte dar-vos-ão um
buraco na terra, umas quantas lágrimas em vossa memória, umas flores e pouco
mais… Agora ide! Ide para o intervalo e vivei! Brinquem, sujem-se, sorriam,
esfolem os joelhos, comam as sandes com as mãos sujas da terra, ide, e quando
voltarem, falaremos da Vida…”
Não!
Não é o que a escola ensina. Ensinam-nos desde cedo a fazer planos! Planos para
daqui a dez anos, para daqui a vinte anos, para daqui a quarenta anos quando
formos velhos! Trabalhem, trabalhem muito! Trabalhem doze, catorze horas por
dia, juntem dinheiro, comprem uma casa que seja só vossa, uma casa grande e
cheia de coisas! Comprem um bom carro para que os outros vejam o quanto vocês
trabalham e trabalhem muito, juntem muito dinheiro para quando forem velhinhos!
Pouco
importa a forma, pouco importam as palavras. A história é esta! “Matem-se a
preparar o futuro!” E assim o Homem se gasta, perde a vida a trabalhar para “daqui
a uns anos” poder aproveita-la, não hoje, não amanhã, “daqui a uns anos!” E os
anos passam, a vida vai-se gastando sem ser vivida, e de repente, antes que
tenhamos tido hipótese de a viver, acaba-se, assim, de um dia para o outro
acaba-se… “Amanhã, a ver se acabo aquela obra e no fim-de-semana levo a família
a dar um passeio…”, “Hoje trabalho até mais tarde, e amanhã faço um jantar
romântico com a minha mulher…” e sem aviso, a amanhã não vem, esgota-se, morre
e deixa todos os planos suspensos, des-vividos.
Planeava
agora escrever todo um parágrafo a dizer-vos, a quem me leia, a quem me queira
ler, a dizer-vos para viverem, a inspirar-vos a serem felizes, a usar frases
poéticas sobre a felicidade e o Amor. Mas não me cabe a mim fazê-lo! Não existe
poesia nas palavras, só a vida, vivida ao extremo, pode ser poética. Portanto,
Vivam! Mandem um palavrão ao ar se for necessário, “Que se foda, vou é viver!”
Vivam!
Tu! Pergunta-te isto, não o respondas a
ninguém senão a ti, pergunta-te somente: Se soubesses que irias morrer amanhã,
que coisas teriam importância hoje?

