Vítor Pereira

domingo, 13 de outubro de 2013

# Despedida


- Deixo um pedacinho de mim a cada vez que me despeço de ti...
-...

- Deixo-me por inteiro a cada vez que parto para a Saudade de não te ter presa na liberdade do meu abraço... Abandono-me em ti e parto para te procurar. Parto para a espera que me devolvas a mim.
-...
- No fundo é isto. Digo-te adeus e coloco a vida em standby, até ao momento em que reencontro os teus lábios abertos no nosso olhar fechado e me revejo em ti.
- Alguma vez me dirás adeus?
- Dir-te-ei "Até ao meu próximo fôlego..."; "Até já, até amanhã..."
- E "Adeus"?
- Poderei dizer-te "Adeus..."
-...
- Mas nunca pela última vez... É só o que posso prometer, por cada "adeus" que te der, hei-de procurar-te até te voltar a encontrar a pele... Só a tua pele me permite respirar livremente, só o teu abraço é capaz de me sufocar.

Só o Amor pode Matar e dar Vida ao mesmo tempo. Só o Amor permite a ressurreição, Adeus após Adeus.

Vítor Pereira
Um Livro Inventado Hoje 

terça-feira, 8 de outubro de 2013

# José Saramago



Saramago

Lembro-me como se fosse Amanhã! Não desta entrevista em particular, mas recordo perfeitamente o dia, estava numa visita de estudo, tinha eu naquela altura um daqueles radiozinhos pequeninos dos chineses, ia na camioneta a ouvir música na rádio quando um interlocutor dá a notícia: "Prémio Nobel da literatura entregue ao Português José Saramago..." e eu, com os meus 10 anos e total desconhecimento do Senhor de quem estavam a falar pensei, "Isto deve ser uma coisa importante..." e lá fui, esqueci o facto, vivi o dia da visita de estudo respirando por completo o oblívio de não saber (passando o pleonasmo) o quanto este senhor me haveria de ensinar, as noites que iria passar a ler os pensamentos e as histórias dele e a criar os meus, nunca parecidos, nunca iguais... É a magia da literatura, fazer-nos tantas vezes  pensar algo que nada tem que ver com o que ali está escrito...

Continua a ser - digo eu - mais respeitado além fronteiras do que o será no seu País. Pouco importará. Ousaria eu dizer que a literatura se faz de pessoas e não de pátrias; e já o ousou dizer o mestre Pessoa, "A minha Pátria é a língua Portuguesa..." - também a será para mim, também a terá sido porventura para o mestre Saramago.

Não terá sido o mais perfeito dos homens, chego a perguntar-me, teria o mais perfeito dos homens alguma coisa que escrever? Talvez sim, talvez não. Foi um homem imperfeito, a escrever a homens imperfeitos... Talvez por isto eu o aprecie tanto.

A Saramago não diremos "Que descanse em paz", mas sim, "Que as suas palavras continuem a viver em desassossego!"

Amém!

Vítor Pereira

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Improviso à Saudade - Arpa Zirtaeb



Sei! Sei que te Amo quando te tenho e ter-te não me basta! Sei que te Amo quando te tenho e ainda assim te preciso com uma Saudade que a Saudade não mata! Sei! Sei que te Amo, quando a calma é uma urgência que sufoca com a respiração! Inspiro-te; Expiro-te; e apresso-me a inspirar-te de novo, só para não te deixar fugir. Sei! E não te prendo, porque só a liberdade te pode agarrar a mim, só pelo voo te posso roubar...

E fujo! Por vezes fujo-te, só para poder esbarrar-te em mim, encontrar-te no fio de um beijo rasgado antes do toque, nunca consumido no seu todo, nunca suficiente... Fujo de ti, como quem corre na direcção do medo!

Não quero saber de nada! Quero-te saber em tudo... Vou abandonar-te para dentro de mim... Não te quero ter, quero-te por empréstimo, por todos os dias – como um daqueles caloteiros (!) que pede emprestado e não devolve nunca – quero-te assim! Amo-te como um caloteiro desavergonhado!

E falo como se tivesse muito a dizer, quando no fundo, não tenho nada a dizer! Digo-te um improviso, Amo-te de improviso.

P.S. Queria só dizer que te Amo.


P.P.S. Era só isto. Dá-me um punhado de chuva e um sorriso, e eu faço-me... Faço-me-te!

Vítor Pereira