Vítor Pereira

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013


Apercebi-me que os livros nada têm que ver com literatura! Os livros são simplesmente a fotografia da literatura, captada, guardada entre páginas mortas... A literatura está lá fora, e para lê-la é preciso senti-la, vivê-la, não como quem a olha num baú de recordações, mas como quem a respira a cada segundo, como quem chama pela vida que teima fugir...



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Sorrisos e Saudade



            Que fazer quando as lágrimas da perda beijam o rosto onde outrora um sorriso morou? Nada, deixá-las simplesmente fluir – arrastar o corpo para baixo de um chuveiro abandonado e deixar que a água leve as lágrimas e que a alma que sangra se deixe lentamente curar, acreditando que o amanhã, aquele horizonte intangível, irá regressar envolto numa tela mais colorida.
            Quando vemos a morte tomar conta de alguém que nos é querido – quando a inevitabilidade da existência se acaba diante dos nossos olhos – o mundo simplifica-se, a sua cor entristece, torna-se mais cinzenta, contudo, simplifica-se. Os adornos do dia-a-dia, os tormentos avulsos das nossas efémeras preocupações, esbatem-se, desvanecem, e fica somente aquilo que importa: Os sentimentos – aqueles frágeis blocos que erguem o muro da nossa humanidade e fazem bater as válvulas metafísicas do coração.
Voltamos a chorar, porque as lágrimas não são mais que o ADN dos nossos sentimentos, são o pulsar de um amor que não termina, um amor por alguém que estava entre nós, e agora que esse alguém abandonou o mundo físico, é exactamente nas lágrimas que se encontra a porta de uma nova casa – a memória. É na memória que perpetuamos a existência de quem partiu, guardamos cada momento, cada beijo, cada abraço, cada simples sorriso, no baú das nossas recordações e permitimos que aqueles que escrevem o livro do nosso amor vivam para sempre dentro da nossa saudade.
Choramos um pouco mais, porque as lágrimas são o sangue da alma, e se a alma não se permitir a sangrar, a dor permanece abafada, presa a um luto que não se permite fazer, por isso chorámos, e lentamente, a dor, mesmo não desaparecendo, transforma-se num aperto que as palavras não descrevem mas que a saudade compreende, e continuamos, tentando fazer o melhor, tirar o melhor da vida, fazendo por honrar a memória de quem partiu, seguindo a estrada da existência, acreditando que aqueles que nos deixaram sentiriam orgulho na jornada que escolhemos para nós.
Assim, num livro infindável de sensações vamos escrevendo cada dia, esperando que, quando o nosso chegar, tenhamos deixado no mundo razões para que outros, tal como nós agora fazemos, chorem a nossa perda e sorriam com a nossa recordação.
Agregado a estas palavras, deixo as últimas lágrimas em honra a alguém que partiu, alguém do qual o nome simboliza verdadeiramente a sua vida e a herança que deixou nos que tiveram o privilégio de a conhecer – Luz.
Nestas palavras, dizia, deixo as últimas lágrimas, abrindo caminho para os sorrisos e a saudade que ficarão para sempre guardados no mar dos meus pensamentos – nas memórias dos dias felizes que iluminaram a sua existência.

Em memória a Maria da Luz, e a todos os que partem e deixam no mundo um legado de lágrimas e sorrisos de saudade.

Vítor Pereira

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

É curioso como a literatura nos encontra. Faz-nos pensar se somos nós que a fazemos, ou se é ela mesma que nos faz. Por vezes basta uma frase, e tudo o resto se escreve, "tão natural como existir".