terça-feira, 27 de novembro de 2012
Preto e Branco
A guitarra chora
Sobre os prantos da humanidade.
Brame pela demora
Da demanda da verdade.
Harmónicos de um verde,
Pardo, pelas sombras queimado.
Gotejos gretados de uma sede
De um graal avulso, abandonado.
Escalas diminutas de uma utopia,
Que teima romper-se por entre os dedos.
Sons informes de uma melodia,
Perdida por entre velhos segredos.
Chora a funesta humanidade
Sobre a guitarra em pranto defunto,
Brame em silêncio pela verdade,
Do preto e branco de um mundo.
Vítor Pereira
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Oblívio
Sentado sobre a impalpável matéria –
Na sabedoria de um oblívio cinzento,
Ergue-se no clamor da miséria,
O eco abafado da voz do tempo.
Por entre as montanhas de areia,
Uma treva informe ergue-se cansada –
A ampulheta de uma baça teia,
Antediz a perpétua madrugada.
São murmúrios que o Homem olvida,
Como quem esquece as adagas do presente –
Vai-se esbatendo o infortúnio da vida,
De quem a vive como quem não sente.
Ao longe, p’ra lá do horizonte,
Outro eco teima vociferar –
Uma voz com fé de mudança,
O prenuncio de um passado distante,
Trémula como o segredo latejante –
A tremeluzir uma parda esperança…
Vítor Pereira
02/11/2012
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