Vítor Pereira

sábado, 11 de maio de 2013

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Dou comigo a escrever este livro, esta história cheia de ficções verdadeiras, dou comigo a sujar as páginas com as palavras, não como quem pensa uma história fechado num quarto, mas sim, como quem a sente lá fora nas ruas, entre os murmúrios do vento, os sorrisos da chuva, os queixumes do pôr-do-sol. E vejo lágrimas e alegrias, vejo contentamentos tristes, vejo olhares, memórias, futuros, corpos que se tocam, almas que se chamam na distância, vejo tristezas coloridas e alegrias a preto e branco, vejo palavras, vejo ainda mais silêncios, tento pintá-los a todos nesta tela cromática que é existir. Pinto-os a todos, e deixo que me pintem, que me tragam a humanidade que tanto me escasseia.
Dou comigo a escrever este livro não como quem o pensa mas como quem o sente, e apercebo-me, sem saber porquê, que se aproxima a hora de lhe escrever um final. Um final que ainda não tenho, um final pelo qual tenho que esperar que me encontre, que se escreva em mim, para que o possa transcrever depois. Não agonio nessa espera, aguardo-o já com uma saudade calma, mas sinto, lá no fundo, sei que se aproxima… Calmamente, espero que me escreva.

Vítor Pereira
Crónicas do Silêncio