“Ah,
como os mais simples dos homens são doentes e confusos e estúpidos ao pé da
clara simplicidade e saúde em existir das árvores e das plantas!”
Alberto Caeiro em “O Guardador de Rebanhos”
Existem
coisas que, de tão natural que são, nem as apercebemos. E tão natural é ouvir
falar dos problemas deste planeta, tão naturais são os nossos constantes abusos
– e por nossos entenda-se, a
humanidade – abusos que progressivamente tem vindo a mergulhar o planeta num
mar convulso de repetidas desgraças, tão natural tudo isto é, que de Natural já
a Natureza tem pouco.
Sejamos
simples nas palavras, “Insustentável”,
a própria palavra tornou-se isso mesmo, um espelho do seu próprio significado,
o reflexo de um planeta que, como um pai carinhoso e protector que zela pelo
futuro dos seus descendentes, se vê impotente perante a máquina devoradora que
consome tudo quando este lhes oferece, um pai que assiste à desgraça dos seus
próprios filhos, sem que nada lhe seja permitido fazer, senão esperar que a
sensatez acabe por lhes moldar a vontade.
Por
vezes as palavras são como o próprio ser humano, tem vontade própria. Não
obstante, o que se pretende aqui concluir – como se de conclusão necessitasse –
é que o futuro do Homem anda de mãos dadas com o futuro deste planeta a que
chamamos Terra, desta terra que é a única casa a que poderemos confortavelmente
chamar de lar. Ora, tanto se fala da crise económica na qual a actualidade
escreve as linhas tortuosas do presente, que, facilmente nos esquecemos da
Crise, sim, da Crise com maiúscula, a Mãe das crises, atrevemo-nos a dizer. A
Crise que o planeta vêm passando nas últimas décadas, reflexo dos últimos
séculos, reflexo da indústria e da modernidade que são a imagem de marca do ser
humano dos novos tempos.
Sem
grandes referências técnicas e para que se perceba, depois de todos os números,
todas as estatísticas, todos os dados, no fim,
tudo se resume a uma simples frase: “O planeta está muito doente!”. Os sintomas
estão aí, em toda e qualquer parte, e não será preciso que sejamos médicos ou
doutores de qualquer espécie para que o percebamos, não! Basta que olhemos,
basta um humilde vislumbre sobre os contornos da Natureza e facilmente veremos –
num qualquer canto, num qualquer lugar – os frutos do nosso pecado.
O
que se pretende com toda esta corrente de palavras aleatórias pode definir-se
desta forma: Colocar os pesos na balança
da consciência, olhar de dentro para fora e perceber que a Natureza
exterior está sangrada pelas chagas da nossa Vontade interna. E essa vontade –
ainda o Tempo o permite – tanto pode ser a punho que desfere a golpe final,
como, por outro lado, pode ser a mão caridosa que humildemente ata as cozeduras
de uma ferida que ainda vai a tempo de ser curada.
Humildemente,
olhemos para a terra que nos dá o pão, para o mundo que nos dá a casa, e passo
a passo, pouco a pouco, mudemos os nossos hábitos, sempre com a consciência de
que o planeta não nos pertence, que simplesmente fomos agraciados pela dádiva de
o partilhar em harmonia com todas as suas maravilhas e todas as suas formas de
vida, que como nós, povoam este planeta azul de esperança.
Nesta semana
em que foram revelados mais alguns dados preocupantes relativos ao estado do
planeta, não poderia deixar de dedicar umas palavras àquilo que é, nunca o esqueçamos,
o mais importante de todas as coisas: O Planeta.
Que
sem um ninho, nem a mais graciosa das aves pode sobreviver…
Vítor
Pereira
Este
artigo foi escrito segundo o antigo acordo ortográfico.