Vítor Pereira

domingo, 14 de outubro de 2012

Cidade do Outono


















A cidade, arbitrária caminha.
Com ela me arbitro também.
Fito as gotas da chuva vizinha,
Que por entre a bruma das luzes –
Velhas tristes e fugazes –
Choram sem saber por quem.

Folhas vagueiam no lençol do tempo,
Não me dão nunca a solidão.
Brota-me a imagem, um simples momento,
Em calma adormece-me a sofreguidão.

Carros passam entre telas de vidro,
Quadros beijados pelas lágrimas do céu.
E o âmago outrora perdido,
Retorna – encontra um caminho pelo breu.

São Outonos, tantos quantos eu sou,
São promessas – murmúrios que a noite trás.
Rasga-se o pergaminho que a dor outorgou,
Para cair finalmente nos castanhos da paz.

Vítor Pereira