Dei comigo preso dentro de um sonho a preencher um formulário qualquer – um formulário que era, bem vistas as coisas, o atestado de vida – “Morada:……………………………………………..” aparecia no ponto três do formulário. Nos espaços anteriores – nome e idade – conseguia vislumbrar apenas duas manchas de tinta disformes à minha visão - é como quem mente ao mundo com as respostas que julga verdadeiras, mas sem ser capaz, o mentiroso, de ver verdade alguma naquilo que ele mesmo escreveu. Mas não é essa a história, a história é sobre um sonho preso dentro da pergunta três de um formulário sem razão, “Morada:……………………………………………..” Como se encontra o código postal de lugar nenhum? E o número, serve o zero para identificar o rés-do-chão da solidão? Cheguei a pensar em tentar disfarçar a resposta com coordenadas – por certo ninguém se daria ao trabalho de verificar as coordenadas de uma morada de um homem sem nome – mas nos sonhos não somos capazes de ignorar o básico das coisas sem importância.
São assim os
sonhos, capazes de nos fazer questionar a insignificancia do mundo por causa de
uma morada que no fundo podia ser qualquer uma – tivesse eu no sonho escrito
que morava na casa branca e assim a sonhá-lo o sonharia verdade. Mas não,
morada nenhuma.
Ia começar a
escrever quando acordei com o carteiro a tocar à campaínha…
Dei comigo a abrir uma carta com o meu nome e a pensar que lugar será esse onde dormem os sonhos...
Dei comigo a abrir uma carta com o meu nome e a pensar que lugar será esse onde dormem os sonhos...
Vítor Pereira
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