Crónica de um Astronauta no exílio
Ainda
espero encontrar-te quando olho para o mundo para lá da janela; ainda penso em
ti quando dou comigo a pensar em mim; o vento não te traz lá fora, mas ainda te
encontro quando olho para o mundo de dentro do peito que se abandonou em ti.
Ainda vejo as estrelas no teu rosto, e o teu rosto nas estrelas. Transformo
lágrimas em lágrimas – água em notas musicais – e as palavras dentro da folha de
papel são gestos – são gritos que a terra guarda no silêncio da noite.
Mercúrio,
Vénus, Terra, Marte, Júpiter… É para lá que vou. Abro a janela para dentro de
um buraco negro e levo-me para onde não me posso ter. Mil dias em Júpiter e
depois volto para nunca mais ficar… em mim. Quem deu nome às palavras não sabia
que fazer com a terra por cultivar. Vou semear palavras em Júpiter e as flores
vão ter o teu nome; Vou semear ventos e colher saudades.
Vou…
Procura-me em Júpiter que na Terra não tenho onde ir.
Vítor Pereira
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