Vítor Pereira

terça-feira, 5 de agosto de 2014

1000 dias em Júpiter - Uma janela e um buraco negro


Crónica de um Astronauta no exílio 

Ainda espero encontrar-te quando olho para o mundo para lá da janela; ainda penso em ti quando dou comigo a pensar em mim; o vento não te traz lá fora, mas ainda te encontro quando olho para o mundo de dentro do peito que se abandonou em ti. Ainda vejo as estrelas no teu rosto, e o teu rosto nas estrelas. Transformo lágrimas em lágrimas – água em notas musicais – e as palavras dentro da folha de papel são gestos – são gritos que a terra guarda no silêncio da noite.

Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter… É para lá que vou. Abro a janela para dentro de um buraco negro e levo-me para onde não me posso ter. Mil dias em Júpiter e depois volto para nunca mais ficar… em mim. Quem deu nome às palavras não sabia que fazer com a terra por cultivar. Vou semear palavras em Júpiter e as flores vão ter o teu nome; Vou semear ventos e colher saudades.


Vou… Procura-me em Júpiter que na Terra não tenho onde ir.

Vítor Pereira

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