Vítor Pereira

terça-feira, 8 de outubro de 2013

# José Saramago



Saramago

Lembro-me como se fosse Amanhã! Não desta entrevista em particular, mas recordo perfeitamente o dia, estava numa visita de estudo, tinha eu naquela altura um daqueles radiozinhos pequeninos dos chineses, ia na camioneta a ouvir música na rádio quando um interlocutor dá a notícia: "Prémio Nobel da literatura entregue ao Português José Saramago..." e eu, com os meus 10 anos e total desconhecimento do Senhor de quem estavam a falar pensei, "Isto deve ser uma coisa importante..." e lá fui, esqueci o facto, vivi o dia da visita de estudo respirando por completo o oblívio de não saber (passando o pleonasmo) o quanto este senhor me haveria de ensinar, as noites que iria passar a ler os pensamentos e as histórias dele e a criar os meus, nunca parecidos, nunca iguais... É a magia da literatura, fazer-nos tantas vezes  pensar algo que nada tem que ver com o que ali está escrito...

Continua a ser - digo eu - mais respeitado além fronteiras do que o será no seu País. Pouco importará. Ousaria eu dizer que a literatura se faz de pessoas e não de pátrias; e já o ousou dizer o mestre Pessoa, "A minha Pátria é a língua Portuguesa..." - também a será para mim, também a terá sido porventura para o mestre Saramago.

Não terá sido o mais perfeito dos homens, chego a perguntar-me, teria o mais perfeito dos homens alguma coisa que escrever? Talvez sim, talvez não. Foi um homem imperfeito, a escrever a homens imperfeitos... Talvez por isto eu o aprecie tanto.

A Saramago não diremos "Que descanse em paz", mas sim, "Que as suas palavras continuem a viver em desassossego!"

Amém!

Vítor Pereira

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