No momento em que encontras o Amor, perdes-te! E aqui o verbo não se refere ao “perder de Amor” na sua concepção poética, perdes-te! Perdes tudo! E o mais curioso é que te sentes feliz por perder! És o derrotado mais feliz do mundo! A própria liberdade – quantos homens não travaram guerras, mataram outros homens, sacrificaram membros, órgãos, e se ofereceram às mais variadas dores, em nome da liberdade, só para a perderem depois, à puta da liberdade, nos braços de uma mulher! Perdes a liberdade como um inocente que oferece o pescoço à guilhotina, só para te veres rolar sobre a tua cabeça, às voltas no pêndulo do Amor!
Olhas para a mulher que Amas, fazes cara de cão mal abandonado, e colocas as algemas sobre os teus pulsos, “Agora tranca-as! Já só falta algemares-me os pulsos, porque o resto já está enclausurado por ti, portanto, tem ao menos a decência de me algemar os pulsos e deita a chave para onde, nem eu nem tu, a possamos encontrar…” Depois, resta saber o que faz a tal mulher, se te algema à volta de um poste de iluminação de um beco sem luz, ou se te prende à volta do corpo dela, para que fiques enclausurado no calor do seu abraço! De uma maneira ou de outra, não tens como fugir, não tens como voltar atrás, estás preso, e tão pouco pensas em libertar-te!
“E agora que faço” perguntas-lhe tu.
“Cala-te e ama-me! Ama-me e cala-te!” diz ela… Mas tu não sabes, não podes ter a certeza se foi isto mesmo que ela te disse, porque isto é apenas o que queres ouvir enquanto estás preso num Amor sem espaço ou tempo que te possa dar idade. E assim vais andando, esperando que a voz que escutas se torne mais nítida, esperando lá bem no fundo do peito, que te declarem prisão perpétua!
Todo o homem abdica da liberdade em troca de um abraço perpétuo. Toda a mulher foge de um abraço em troca da liberdade que lhe permita procurá-lo. À parte disto, todos os humanos são reclusos do que desejam…
Vítor Pereira
Volume II
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