Vítor Pereira

sábado, 29 de junho de 2013

# Do Mar à Saudade

http://www.youtube.com/watch?v=ge9Zsre7gjc

Não sei de ti; Não sei onde estás; Sei de ti unicamente em mim; Estás viva, mas não sei de ti; Sinto-te a falta numa Saudade que é Mar; Escuto-te, em marés avulsas e perfumes olvidados pelo presente do futuro incerto; Mas não sei de ti, onde estás? Onde estás para lá de mim? Estou contigo, sem saber de ti; Não preciso de saber de ti, para estar fora de mim, contigo; O pensamento é o estar longe de corpo que me prende na tua ausência; O pensamento é o corpo da alma que a todos os segundos te procura, tendo-te; 

Toda a vida que se viveu em mim, foi uma preparação para ti; A chuva e o vento, as flores e o sol, o dia e a madrugada – todos eles, solidão; Até que cheguei a ti, até que chagaste a mim e me permitiste nascer no berço da não-solidão; Todos os poemas foram a síncrise de ainda não te saber possível, verdadeira; Todas as palavras foram a prosa do Amor não sentido; Toda a dor, a ficção de não ter motivos para sofrer; Até que chegaste; E as nuvens pardacentas desocultaram o Sol do Amor de seres real, verdadeira; 

Encontrei-te e percebi o sentido da minha mão – a tua mão; És a metade que falta à minha mão; O abraço que completa a palavra; O beijo que o dicionário não compreende; Mas não sei de ti; Porque não sei se estou em ti – da forma completa como estás tu em mim; Por isso não sei de ti; Por isso estou em ti, na casa do Amor que te tenho; Mas não, não sei onde estou, porque não sei de ti.


Vítor Pereira
(des)Poemas para Zirtaeb

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