Sentado sobre a impalpável matéria –
Na sabedoria de um oblívio cinzento,
Ergue-se no clamor da miséria,
O eco abafado da voz do tempo.
Por entre as montanhas de areia,
Uma treva informe ergue-se cansada –
A ampulheta de uma baça teia,
Antediz a perpétua madrugada.
São murmúrios que o Homem olvida,
Como quem esquece as adagas do presente –
Vai-se esbatendo o infortúnio da vida,
De quem a vive como quem não sente.
Ao longe, p’ra lá do horizonte,
Outro eco teima vociferar –
Uma voz com fé de mudança,
O prenuncio de um passado distante,
Trémula como o segredo latejante –
A tremeluzir uma parda esperança…
Vítor Pereira
02/11/2012

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