Faz-me falta a
saudade; Faz-me falta o Outono que chove das árvores por entre os dias frios de
sol envolvidos no torpor do toque que respira o nome que não se pode dizer.
Faz-me falta o silêncio de não te saber verdade oculta dentro dos momentos que
o passado não fez vida. Não me recordo se chovia quando a pele se abandonou do
toque que o corpo sôfrego exigia, não me recordo, lembro-me apenas da chuva que
o dia seguinte trouxe sem levantar bilhete de retorno ao peito e à alma e ao
corpo de todas as coisas que a Saudade, essa que agora me falta, tomou por
empréstimo.
Quantos dias
serão precisos para demolir as palavras que a caligrafia das montanhas esqueceu
para lá do mar que foge entre os dedos descalços de tinta?
Vítor Pereira
Crónicas do Homem de Vento
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