Perdi-me pelo mundo inconsciente de ti. Perdi-me pelo mundo à tua procura, procurei-te sem te saber, procurei-me no Tu que não sabia existir. Mas procurei-te, desejei-te, sonhei-te, amei-te... muito antes de te acreditar, de me acreditar, de nos acreditar. Fui um ignorante sem bagagem pelo mundo, foi um passageiro de um sonho que ainda não via luz, a tua luz. Viajei com punhado de frases como alimento e a poesia como transporte, abandonei-me, recriei-me... Vivi à procura de um tesouro sem mapa, de uma ideia, um conceito, tão frágil, tão ténue que, se pensado em voz alta, se sonhado sob a forma do sono, se dissolvia na maresia da chuva do horizonte do amanhã - Amor.
Mas perdi-me. Amei-te muito antes de me encontrar em ti. Amei-te nas pequenas coisas: no sorriso de uma flor acordada pelo abraço do orvalho tépido da manhã; no cantar de uma pedra a beijar o marulho adoçado do mar; na canção do vento à saudade que te haveria de ter... Em todos os suspiros que suspirei por coisa nenhuma, amei-te sem saber.
Mas perdi-me... até ao dia em que me perdi no encontro do teu olhar beijado no meu. Ancorei na aurora da tua pele para nunca mais regressar a mim, para me saber real. Soube que existia no dia em que ganhaste forma no meu peito - gesto, mudez, pulsação... Sei perfeitamente quem não era, desconheço completamente quem sou, mas sei, claramente, que tudo o que sou me és, tudo o que és eu Amo, tudo o que Amo és... De resto, tomo todas as agendas do futuro, e escrevo o teu nome, em todas as páginas, dedico-te o tempo e abraço a aventura de uma vida a teu lado, com o Amor como único guião, com o abraço como único transporte, com o beijo como respiração...
Perdi-me no mundo à tua procura.
Perco-me em ti à procura do mundo.
Vítor Pereira
Um Livro Inventado Hoje

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